Pular para o conteúdo principal

Intervenção Pedagógica na leitura e na escrita - montagem textual por frases e palavras

Atividade interativa de leitura e escrita






Montagem coletiva do texto-música
"O pato pateta", V. Moraes.

  1. A música foi apresentada no BLOCÃO e lida sem melodia, como um texto poético. Após a leitura coletiva, COM APONTAMENTO DO PROFESSOR fonema a fonema, (onde ele põe o dedo enquanto pronuncia as palavras, mas sem pausá-las), sugeriu-se outra atividade (ciências - as aves), que poderia ser qualquer outra diferente do foco da leitura;
  2. No dia seguinte, retomou-se a releitura do texto e desta vez com uma cópia para os alunos. Foi sugerida a leitura "com o dedinho" deles;
  3. Em seguida, como a turma já reconhece a maioria (mas não todos) dos fonemas e grafemas da nossa língua, foi solicitado que identificassem (pintando ou circulando) palavras-chave no texto (pato/ pateta/ caneco/ marreco/ galinha/ panela) - que fica a escolha do professor, (no caso de uma turma que não reconheça a maioria dos fonemas, pode-se elencar QUAIS FONEMAS se deseja trabalhar e, ao invés de solicitar que a criança identifique várias palavras, solicitar apenas a palavras-chave. Importante salientar que, o mesmo texto serve para trabalhar diversos fonemas e grafemas, mas um de cada vez, ainda que todos sejam apresentados ao mesmo tempo durante a leitura do texto. A sistematização de cada um deles (aqueles elencados) deve ser programada, planejada, para que possa garantir um bom aprendizado;
  4. Cada palavra encontrada (mesmo repetidas) deveria ser pintada de uma cor diferente: todas as palavras pato de amarelo, por exemplo, (...)
  5. Foi solicitado que os alunos representassem através do desenho essas palavras e depois escrevessem os seus nomes. Esta atividade deve ser organizada de acordo com o nível dos alunos. Em caso de alunos pouco avançados no processo de leitura e escrita, é melhor que eles apenas desenhem o que acontece na história, e escrevam apenas uma ou duas palavras;
  6. No terceiro dia, destacou-se a parte da história que a turma mais gostou (através da releitura do blocão afixado na sala). Fez-se a reescrita coletiva em outro blocão;
  7. No dia seguinte, distribuiu-se o trecho escolhido para os alunos (xerocopiados) sugerindo-lhe que lesse em casa com ajuda de alguém. Seguiu-se o dia com outras atividades;
  8. No quinto dia, fez-se nova leitura do trecho escolhido e sugeriu-se a montagem coletiva do texto embaralhado por frases. Importante que neste momento o texto no blocão esteja coberto com alguma folha de papel (pardo, por exemplo). Após a montagem coletiva, retira-se as frases do quadro e as coloca em algum lugar da sala para posterior leitura, mas é preciso cobrí-las no momento da montagem individual (pelos alunos). Uma boa sugestão é colar atrás da porta, pois é fácil escondê-las e mostrá-las de acordo com a necessidade,
  9. Trabalhou-se as frases de diversas maneiras: leitura para desenho, escrita a partir do desenho, completar lacunas usando banco de palavras, significado, ligar frases aos desenhos, montagem de cenas para escrita das frases (e tudo mais que a criatividade do professor puder imaginar);
  10. Na semana seguinte, preparou-se para o trabalho de montagem textual (do trecho escolhido) por palavras. Esta etapa requer muito cuidado, pois os alunos necessitam de intervenção adequada aos seus níveis de aprendizagem. Não adianta fazer o mesmo tipo de pergunta a um aluno alfabético e um silábico na tentativa de ajudá-los. É interessante que este trabalho seja realizado com um grupo de cada vez (um por dia). Os grupos que trabalham com autonomia poderão fazer juntos e depois será oferecido a eles outras atividades relacionadas, como por exemplo, um estudo sobre o grupo de animais que aparece no texto (classificação, características, etc.), ou um deles em específico; resolução de probleminhas envolvendo os animais que aparecem na história (música-texto) Importante a multi-integralização com as outras disciplinas;
  11. As atividades que seguem esta última devem ser variadas, mas sempre focando para a aprendizagem dos fonemas/ grafemas que estão sendo trabalhados: classificação entre sons, quantidade de letras e sílabas, que começam com a mesma letra ou que terminem; liga palavras aos desenhos; desembaralhar palavras para montar frases (por escrito); montar palavras usando letras móveis; estabelecer relações entre as palavras e os nomes da turma; ditado recortado de sílabas, letras; escrita da história com apoio do blocão; identificação de fonemas (pinte, ou envolva a sílaba "pa"); autoditado (desenho de personagens do texto para que as crianças coloquem os nomes) etc.
  12. A construção de um vocabulário (ou banco de palavras) é muito importante para o estabelecimento de relações entre fonemas e grafemas da nossa língua: o mesmo "pa" de pato pode servir para escrever padaria, por exemplo. Será melhor ainda se o vocabulário for construído coletivamente - divide-se a palavra-chave em sílabas (junto com o aluno) e pergunta que outras palavras eles conhecem que comecem (ou terminem - uma categoria por vez) com as sílabas da palavra e vai escrevendo no blocão para afixar na sala. Pode-se ainda, tomar a palavra escrita inteira, evidenciar algum fonema e relacionar com os nomes (e sobrenomes) que há na turma:

PATO
PA TO

PA TETA
PA TRICIA (pode-se partir dos nomes e sobrenomes dos alunos por serem bastante significativos, motivadores da aprendizagem)
PA IVA
PA MELA
PAS COAL

depois

PA TO

RENA TO
TORQUA TO
SAPA TO
CAMPEONA TO

A reescrita textual de memória deve fazer parte do planejamento, pois é o momento de consolidação do que se está aprendendo. A partir daí, pode-se cantar a música, fazer uma dramatização e inventar!



Comentários

  1. Val, esse tipo de atividade é maravilhosa. Sou muito agradecida a você, por ter partilhado comigo essa riqueza de trabalho. O resultado é fantástico! Obrigada e um beijo grande.

    ResponderExcluir
  2. Nossa, e o melhor é que o resultado aparece mesmo, deixando-nos, alfabetizadores, menos ansiosos e mais felizes.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Obrigada pela visita! Escreva aqui sua crítica ou sugestão.

Postagens mais visitadas deste blog

Alfabetização: letra de imprensa x letra cursiva

-->
Muitos de nós, alfabetizadores, sentimo-nos inseguros acerca da escolha do tipo de letra a ser usado na alfabetização: Letra Cursiva ou Letra Bastão (ou Imprensa)? Chegamos a divergir em defesa daquilo que acreditamos ser o melhor caminho a ser trilhado pela criança. Sem sombra de dúvida, ainda voto no bom senso para que tal escolha aconteça de forma a garantir o sucesso real de todos rumo ao letramento tão exigido no mundo atual. 



Pensemos e concordemos que a letra cursiva apresenta um grau de dificuldade, em seu traçado propriamente dito, maior que a bastão ou imprensa, como também é chamada, mesmo em se tratando de crianças de um nível mais avançado. Ela é mais cansativa pra quem está aprendendo e, por isso, despende um tempo muito maior para a atividade de escrita. No entanto, a dificuldade varia de criança para criança.

Penso que o processo de aprendizagem é suavizado quando se introduz o uso da letra bastão no início do processo de alfabetização e a manuscrita soment…

Processo de aquisição da leitura e escrita - por Emília Ferreiro

Níveis de aquisição da escrita



Emília Ferreiro, sem dúvida alguma, nos prestou grande contribuição para que pudéssemos compreender como se dá o processo de leitura e escrita para o aprendente. Salvo todas as críticas ao seu trabalho, considero pertinente observar que não percebo essas fases como padrão rígido que se apliquem a todos os indivíduos.
No entanto, elas são boas norteadoras do processo que se deseja pôr em prática - por onde vamos começar? - além de servirem como embasamento de um bom diagnóstico sobre o desenvolvimento do (a) aprendente da leitura e da escrita no momento em que propomos um trabalho com ele (a), também serve para repensar esse trabalho como forma de intervir positivamente para a ampliação do seu aprendizado.
Em seus artigos e livros (Reflexões sobre a Alfabetização (*) e outros) a autora argentina deixa claro que considera a alfabetização um processo que tem início bem cedo e não termina nunca:
"Nós não somos igualmente alfabetizados para qualquer sit…

Caracterização dos Alunos nos níveis de Aprendizagem da Leitura e da Escrita

(http://www.centrorefeducacional.com.br, acessado em 22/01/2009)

COMO IDENTIFICAR OS NÍVEIS DE APRENDIZAGEM EM QUE SE ENCONTRAM OS NOSSOS ALUNOS, DENTRO DE UMA PERSPECTIVA SÓCIO-CONSTRUTIVISTA?

A caracterização de cada nível não é estanque, podendo a criança estar numa determinada hipótese e mesclar conceitos do nível anterior. Tal “regressão temporária” demonstra que sua hipótese ainda não está adequada a seus conceitos.

Emília Ferreiro e Ana Teberosck, para detectar o nível de conceitualização da criança, sugerem um ditado individual de quatro palavras, evitando ditar o monossílabo em primeiro lugar, (monossílaba, dissílaba, trissílaba, polissílaba) e uma frase. Em seguida, pedirá à criança para “ler” o que escreveu, com a finalidade de entender como ela “lê”.

Nas características e desafio dos níveis no processo de alfabetização, as autoras colocam que, em cada nível, a criança elabora suposições a respeito dos processos de construção da leitura e escrita, baseando-se na compreensã…