Nossa História

Minha trajetória
"Você não sabe o quanto eu caminhei... (C. Negra)"

Aos oito anos de idade decidi que queria ser professora. Desta forma mesmo: decidi! Quatro anos após o término do Curso Normal, prestei concurso para o Governo do Estado do Rio de Janeiro, em 1993, iniciando então a minha carreira no magistério. Tive a oportunidade de trabalhar em comunidades bastante carentes, como a baixada fluminense, Rio das Pedras e Rocinha. O que me proporcionou um aprendizado muito substancial para o desenvolvimento da minha prática pedagógica ao longo dos anos. Estive “cara-a-cara” com o problema da exclusão social, tão evidenciado em nosso país, problema este que despertou em mim um descontentamento profundo e um desejo enorme de busca por alternativas capazes de solucionar o problema. Tornei-me o que Paulo Freire chamaria de “sonhadora”. Comecei a sonhar com uma educação transformadora. Revesti-me de esperança, de desejo ardente, de busca...

Fui então, em busca de subsídios capazes de amenizar as minhas aflições e de tornar a minha prática pedagógica mais eficiente. Comecei a sonhar com a Universidade Pública. Um sonho sim, pois sempre fui aluna de escola pública e para estes o ensino superior e gratuito era algo difícil de ser alcançado. Acreditei neste sonho e o tornei realidade. Em 1995, Matriculei-me no curso de Licenciatura Plena em Pedagogia, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, concluindo-o em 1998. No mesmo ano, participei do concurso de seleção de professores para o magistério das séries iniciais do Ensino Fundamental da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.

Entre os anos de 1997 e 2001, pela Secretaria Estadual de Educação, atuei no CES-SENAI, Centro de Estudos Supletivos. Esta modalidade de ensino caracteriza-se por estudo de módulos, no qual o aluno comparece para fazer avaliações referentes eles. Tal ensino destina-se a jovens acima de quatorze anos e adultos. Mais uma vez, a exclusão social pela via da educação, se estampava aos meus olhos, que se tornavam inquietos.

Ainda durante o curso de Pedagogia, tive a oportunidade de participar de projetos de bolsas e estágios complementares (não obrigatórios) desenvolvidos pela universidade, como o PROALFA, Programa de Alfabetização de Adultos (1997), EDAI / UERJ – Educação com Aplicação da Informática - avaliação de Software Educativo, e o de Iniciação à Docência do CAP/ UERJ (1998). Foram atividades muito proveitosas e que contribuíram bastante para o meu aprimoramento enquanto profissional da educação e constante aprendente. 

Baseada nas inúmeras leituras que fiz, ao longo do Curso de Pedagogia, e através de pesquisa bibliográfica para elaboração de trabalho de monografia, acerca dos escritos de Paulo Freire, L. S. Vygotsky, Regina Leite Garcia, Maria Tereza Steban, Mª Helena S. Patto, Alicia Fernandes, Cipriano Luckesi, entre outros, e também nos apontamentos relevantes abordados pela teoria sócio-interacionista sobre o processo de aprendizagem e aquisição da linguagem oral e escrita, que tem como pilar a formação integral do sujeito e a sua atuação cidadã na sociedade em que está inserido; verdadeiramente crítico e participativo; voltado para transformação dos descalabros que o cercam, apresentei, ao final do curso de Licenciatura em Pedagogia, o trabalho “O fracasso escolar e os seus fatores contribuintes”.

Após o término do curso de Pedagogia, continuei a minha busca. Freqüentei sete dos doze meses do curso de Administração e Planejamento da Educação, oferecido pela UERJ em nível de especialização. Depois disso, no ano seguinte, comecei a freqüentar o curso de Docência do Ensino Superior, na Universidade Candido Mendes, concluindo-o em 2000.

No ano de 2001, participei, como membro de equipe da Diretoria de Cadastro e Movimentação de Pessoal da Secretaria Estadual de Educação, atuando no setor de Posses e Concursos. Em 2002, ávida pelo cotidiano da sala de aula, solicitei remoção para o Ciep Ayrton Senna, na Rocinha, escola em que atuei como Coordenadora Pedagógica até o ano de 2006.

Na Prefeitura do Rio de Janeiro, exerci as atividades pedagógicas em turmas de Educação Infantil, 1º ao 5º anos do Ensino Fundamental, Classe de Progressão (alfabetização), Educação de Jovens e Adultos – PEJA (Programa de Educação de Jovens e Adultos), Coordenação Pedagógica e Professor- Agente de Educação Especial (Sala de Recursos).

Fiquei fascinada com a proposta de trabalho do PEJA, onde se concentram hoje minhas maiores inquietações: Como transformar em efetivo conhecimento os diversos saberes que os alunos e alunas trazem consigo? Como transformar práticas pedagógicas convencionais em ações de Educação Popular para os alunos e alunas da EJA? Como ajudar as alunas e os alunos, jovens e adultos a vencer o impacto e a representação social do fracasso escolar ou da não-escolarização em suas vidas? 

No mesmo ano em que comecei a atuar na EJA, foi me proporcionada participação no Curso de Extensão "Ensino Superior e Educação Fundamental: teoria e prática de EJA", na PUC/ RJ. Oportunidade esta que aproveitei com entusiasmo e zelo. Tempos depois, participando do Curso de Pós-graduação em Alfabetização na EJA, oferecido pela Secretaria Municipal de Educação, em parceria com a Universidade Estácio de Sá, no ano de 2006, busquei atualização profissional, subsídios para uma prática pedagógica mais eficaz e indícios de respostas para minhas indagações.

Em 2008, senti um quase incontido desejo de compartilhar ainda mais de tudo o que meus professores, autores lidos e meus alunos haviam compartilhado comigo. Foi então que, aproveitando uma sugestão de leitura de artigo enviado por uma amiga, constante do seu blog recém criado, vivenciei e analisei o canal de comunicação via internet e decidi criar o meu próprio webblog. Desta forma, realizaria a minha vontade, que já me tomava por alta ansiedade. 

Saciando parte da minha inquietude, latente em diferentes aspectos, no ano de 2009, matriculei-me no Curso de Extensão da Universidade Federal Fluminense, Ministrado pelo Prof. Dr. Armando M. Barros - Pintura e Escrita: confluências da verbalidade e do olhar nas classes de alfabetização. Pude aprender sobre a subjetividade implícita e explícita das imagens produzidas pelos alfabetizandos durante seus processos de desenvolvimento da leitura e da escrita. 

Atualmente, exerço o cargo de Professora na Prefeitura do Rio de Janeiro, Orientadora Pedagógica na Prefeitura de Japeri, com atuação nos primeiros anos do Ensino Fundamental, cargo assumido desde o ano de 2014 e que me permitiu o reencontro com os primórdios da minha carreira, e escritora deste weblog, que me fascina e ensina a cada dia mais e mais.

Ainda preciso de muito mais...

Relato de Experiência - Diálogos em Arte-educação

Uma experiência no Museu Oi Futuro, RJ.