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A experiência antropológica como forma de alfabetização

Uma experiência pessoal muito marcante  enquanto caçadora de conhecimentos relacionados à prática profissional foi a participação no curso de extensão da UFF (2009)  "Pintura e Escrita: confluências da verbalidade e do olhar nas classes de alfabetização", ministrado pelo Prof. Dr. Armando M. Barros.  (re)Aprendi a lançar um novo olhar acerca daquilo que já vinha praticando há tempo, mas não enxergava tão bem: alfabetizar a partir da experiência antropológica, ou seja, partindo da história de vida do sujeito aprendente, lançando mão de imagens pictóricas, fotografias, oralituras pessoais e coletivas...

Há um tempo queria postar sobre esse assunto, pois sempre considerei proveitoso fotografar ou gravar ações, atividades ou produções dos alunos para servirem de ancoragem para novos encontros com os temas já trabalhados, ampliando assim o conhecimento acerca deles.  Mas como podemos constatar, as nossas aprendizagens demandam um tempo para se processarem, se acomodarem de fato e se tornarem saberes. Os saberes que acumulamos são revelados de uma forma muito branda, eu diria, e simplesmente brotam quando já estão crescidos e ávidos para receberem ampliações. Antes disso, são apenas sementes por germinar.

Abaixo, um trecho de um dos relatos pós-encontros exigidos pelo professor.
(...)chegamos à Universidade. A aula versa sobre as pinturas em nossas vidas, em nossos processos de descoberta da leitura e da escrita.
À mesa estão dispostas fotografias das mais diversas categorias. São imagens de Comemorações Escolares, como Festas Juninas, Páscoa, etc. Há também fotos de passeios, de Formaturas, de professores com os seus alunos. E as fotos montadas nas escolas? Aquelas típicas, com nome da escola na frente, globo terrestre, mapa mundi ou bandeira ao fundo? Puxa, me recordo que nunca tive uma dessas!
Em discussão no momento em que nos juntamos ao grupo, a experiência antropológica, como oportunidade de observar o aluno em seus espaços sociais (lugares que frequenta). O Prof. Armando Barros nos fala da importância do professor-alfabetizador se apropriar dessa experiência para utilizá-la em sala de aula. Para tanto, faz-se necessário que o mesmo professor se torne um pesquisador. Mas que se valha da flexibilidade na maneira de pensar e estabelecer relações. Observar, investigar e analisar as experiências que os alunos vivenciam poderá resignificar todo o trabalho do professor que deseja alfabetizar.
A análise das fotografias dispostas à mesa é feita pelos grupos, juntamente com o professor que, em seguida, sugere a observação de um vídeo produzido pela Érica, colega do curso, e os seus alunos. Lindo trabalho!
Que vivência maravilhosa! Quanto aprendizado!



Colocando em prática e tentando "acomodar", como nos dizia Piaget (1986)  todo o conteúdo aprendido durante o curso, desenvolvi um trabalho mais específico com uso de imagens dos próprios alunos em momento rico de vivência cultural - uma visita ao Museu Oi Futuro (ver parte do resultado do trabalho na imagem em anexo).

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