Organização Curricular - planos, atividades, sequências ou projetos?


Recomeçar... ou como começar o trabalho de alfabetização, seja de crianças, jovens ou adultos?

Organizar as tarefas a serem vivenciadas ao longo de todo o período letivo requer um bom senso na escolha daquilo que mais facilmente levará até a chegada - os objetivos gerais e específicos. Mas qual será o melhor ponto de partida?

Será que todos nós, professores, sabemos definir e utilizar planos, atividades, sequências ou projetos? 

Diversos são os caminhos. No entanto, é preciso saber onde se quer chegar, não é mesmo? Bem traçados os objetivos, pensaremos na trilha que melhor proporcionará alcançarmos aquilo que desejamos. (continua)

Se queremos que o aprendente adquira a base linguística do nosso idioma falado e escrito, teremos que visualizar as pedrinhas que deverão compor todo o percurso dessa trilha. Mas é preciso que saibamos transformar o poder das pedras, de barreiras a pistas para um caminhar mais seguro.

Começaremos pelas letras, uma a uma isoladamente ou em conjunto, ou num contexto significativo, como nomes próprios, pequenos textos (quadrinhas, parlendas, trava-línguas)? Ou então, começaremos pelos pequenos textos até chegarmos as suas unidades menores (frases, palavras, sílabas, letras)? Importa menos a trilha escolhida que a nossa firmeza e confiança em segui-la. A reflexão constante deve ser nossa aliada durante todo o processo para que possamos organizar todo o trilhar que será abrigado por diversos sujeitos: APRENDENTES (aluno, professor, equipe pedagógica e administrativa, funcionários de apoio, pais e responsáveis e toda a comunidade escolar) e ENSINANTES (aluno, professor, equipe pedagógica e administrativa, funcionários de apoio, pais e responsáveis e toda a comunidade escolar).

(Imagem disponível na web)


Perceber tudo o que estará em jogo durante todo o processo é tarefa primordial. Somos ensinantes ao mesmo tempo em que somos aprendentes, pois não possuímos o saber totalizado, se é que este existe. Do outro lado, conviveremos com aprendentes que também são ensinantes nesta engrenagem. Os pais e responsáveis ensinam aos seus filhos valores e conteúdos que permearão como coadjuvantes durante todo a caminhada. Por sua vez, toda a equipe escolar dará a sua contribuição, seja com o seu melhor ou com o seu pior. E nisto, influenciará todo o resultado das reflexões contínuas.

Quero sugerir algumas atividades que nos ajudarão em nossas escolhas. Ou não.

Para preservar o sentido do conteúdo a ser ensinado, evitar a sua fragmentação e distribuir os temas a serem trabalhados em função do tempo de aprendizagem, o ensino pode ser organizado de acordo com as chamadas modalidades organizativas. Vamos conferir um resumo sobre cada uma das modalidades, extraído da Revista Nova Escola (com adaptações minhas).

Plano de aula - Forma de organizar a aula com foco numa atividade específica (leitura exploratória de um texto, resolução de um tipo de um tipo de problema matemático etc.). Como dura apenas uma aula, costuma ser usado para apresentar um conteúdo ou explorar um detalhe dele.

*Não esquecer de incluir uma atividade diagnóstica inicial (para verificar o que os já alunos sabem sobre o assunto) e uma avaliação final (para indicar o que aprenderam).
(Imagem disponível na web)
Atividade permanente - Também chamada de atividade habitual, é realizada regularmente (todo dia, uma vez por semana ou a cada 15 dias). Ela serve para construir hábitos e familiarizar os alunos com determinados conteúdos.
Por exemplo: a escrita de parlendas e de listas, semanalmente, faz com que os alunos reflitam sobre o sistema alfabético e, aos poucos, compreendam a relação entre o que se escreve e o que se lê.

* Ao planejar esse tipo de tarefa, é essencial saber o que se quer alcançar, que materiais usar e quanto tempo tudo vai durar. Vale sempre contar para as crianças que a atividade em questão será recorrente. Com o tempo, os alunos passam a prever a atividade que será proposta, de tão habituados.

Sequência didática - Conjunto de propostas com ordem crescente de dificuldade. O objetivo é focar conteúdos particulares (por exemplo, a regularidade ortográfica) numa ordenação com começo, meio e fim. Em sua organização, é preciso prever esse tempo e como distribuir as sequências em meio às atividades permanentes e aos projetos.

É comum confundir essa modalidade com o trabalho do dia a dia. A questão é: há continuidade? Se a resposta for não, você está usando uma coleção de atividades com a cara de sequência.

Projeto didático - Reunião de atividades que se articulam para a elaboração de um produto final forte, em que podem ser observados os processos de aprendizagem e os conteúdos aprendidos pelos alunos. Costuma partir de um desafio ou situação-problema. Trabalhados com uma frequência diária ou semanal, podem estender-se por períodos relativamente prolongados (um ou dois meses, por exemplo), tornando os alunos especialistas num determinado tema.

* O erro mais comum é um certo descaso pelo processo de aprendizagem, como consequência do excessivo cuidado em relação à chamada culminância (a elaboração do produto final), ambas etapas são fundamentais.


(Adaptado de revistaescola.abril.com.br/fundamental-1/escrita-pelo-aluno-alfabetizacao-inicial-641238.shtml?page=5.1)

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